QUALIDADE – Notícias

10/08/2018

Como garantir que as empresas estejam preparadas para a Economia de Plataforma

Por Leo Monte

Estou com fome dentro de um Uber, às 2 da madrugada, em uma cidade que pouco conheço já que vim participar de um evento. A primeira coisa que quero fazer ao chegar na casa que reservei por meio do Airbnb é pedir algo para comer. Sei que hoje é possível escolher qualquer restaurante, até mesmo aquele que não tem delivery, já que os entregadores autônomos fazem essa entrega para ganhar uma grana. Isso me deixa despreocupado porque esse serviço está cada vez mais eficiente e a um preço acessível. Se o mundo digital oferece uma coisa, podemos dizer que é conveniência.

Esse conforto da vida moderna também tem um outro nome: Economia de Plataforma, que você escuta cada dia mais e que está traçando um futuro gigantesco entre empresas e sociedade. Segundo prevê a PricewaterhouseCoopers, a Economia de Plataforma crescerá mundialmente dos atuais US $ 15 bilhões para US $ 335 bilhões até 2025.

Muitos dizem que o auge das plataformas coincide com a precarização do mercado de trabalho. Eu enxergo que essas empresas navegam exatamente nas oportunidades que a sociedade, algumas realmente em crise oferecem: consumidores em busca de baixo preço e trabalhadores atrás de oportunidade. O que precisa ficar claro é que a Economia de Plataforma não é apenas um modelo organizacional, é um conceito e uma ferramenta que pode ser apropriada por qualquer empresa em qualquer setor – indústria ou serviço, tradicionais ou digitais.

Posso dizer com muito conhecimento de causa que é uma plataforma digital que ultrapassa a esfera da comunicação. É muito além dos sites, e-mail, mensagens de texto e redes sociais. Supera também as vendas, digo os e-commerces, e se insere na contribuição e na cooperação da fabricação do produto ou da prestação do serviço.

Segundo o estudo ‘Keeping Score: Why digital transformation matters?’, que foi realizado pelo instituto de pesquisa Coleman Parkes, a transformação digital está consolidada, representa 39% no crescimento de receita e 75% na melhoria da experiência do cliente. Em contrapartida, o estudo ainda revela que 4 de 10 empresas irão desaparecer por não incorporarem modelos digitais disruptivos.

Você não quer fazer parte dessa estatística, correto?

O que está claro é que esses ecossistemas são os novos alicerces do digital e existem pelo menos cinco áreas-chave para garantir que as empresas estejam preparadas para participar da Economia de Plataforma.

  1. Avalie como você atende seus clientes e parceiros: novos caminhos de acesso a mercados e interação com seus clientes e parceiros de negócios estão se expandindo.Você precisa estar preparado para incluir assistentes virtuais, dispositivos inteligentes e sistemas automatizados no seu negócio.
  2. API, caminho aberto para as mudanças: garanta que suas interfaces sejam flexíveis e prontas para serem integradas. Sabemos que é um desafio contínuo, mas avalie seu portfólio de serviços e assegure que eles sejam bem gerenciados.
  3. Adote tecnologias disruptivas: com as plataformas em ampliação, estamos vendo algumas tecnologias disruptivas que estão em expansão e desenvolvimento contínuo deslancharem: Blockchain, Internet das Coisas e Inteligência Artificial.
  4. Promova em suas iniciativas o network effect: sabe o que empresas como PayPal, Microsoft, Facebook, Uber e Twitter tem em comum? Efeito de rede. Quanto mais pessoas usam o produto ou serviço, maior é o valor para o grupo – exemplos incluem o telefone celular e as redes sociais. Quanto maior o grupo de pessoas com acesso a um telefone, mais valioso em si é para as pessoas que o usam; e quanto mais pessoas participarem de uma rede social, mais valioso é o site para as pessoas que pertencem. Também chamado de externalidade de rede.
  5. Adote a cultura de inovação dentro da sua empresa: vejo muitas empresas querendo ser inovadoras ao criar um núcleo de inovação, esqueça por que isso tem grandes chances de falhar. A inovação deve estar permeada dentro de toda a empresa, desde o CEO até o estagiário, quando falamos de cultura estamos falando de pessoas. E a inovação começa pelas pessoas e como elas podem ajudar sua empresa a inovar. A maneira de trabalhar também mudou, veja os exemplos de Facebook e Spotify com seus famosos SQUADS multidisciplinares, e já vou avisando copiar estes caras também pode ser um grande fiasco para sua empresa. O importante é saber que cada um tem uma identidade e cultura, sendo preciso mapear bem antes de instalar novas metodologias de trabalho.

Apenas uma ressalva, o segundo ponto que citei é muito interessante porque as organizações bem-sucedidas não enxergam as APIs apenas como ferramentas técnicas, mas como fontes de valor estratégico na economia digital dos dias de hoje. Adotar um modelo de negócio centralizado na API permite criar valor oferecendo APIs desejadas por outros. Além disso, vai ajudar desenvolvedores a inovar livremente e dar suporte a equipes de desenvolvimento mobile. Isso vai tornar as APIs o idioma comum em um mundo híbrido, vinculando dispositivos a dados por meio da Internet das Coisas.

Se sua empresa oferece um serviço interno de aprovação de crédito, é possível criar uma APi específica com esta funcionalidades e oferecer para empresas ou iniciativas que precisam de um motor de avaliação de Score de Crédito, com isso é totalmente possível gerar receitar através do consumo desta APi, o que antes era apenas um centro de custo da TI passa a gerar receita para a empresa.

E também tem outro lado da moeda, que sua empresa pode usar a APIs de alguma outra companhia para acelerar, por exemplo, a criação de um novo aplicativo ou serviço. Esta é uma mudança de mindset para as empresas tradicionais (mundo físico), porém, muito utilizada no online.

O serviço de aprovação de crédito é um bom exemplo de como sua empresa pode se favorecer dentro de uma Economia de Plataforma. Por isso é importante olhar muito bem para dentro da sua empresa e começar a mapear todos seus serviços, inclusive garimpando as melhores oportunidades de receita.

Segundo dados da Accenture, as recompensas que essa expansão das plataformas oferece são surpreendentes: as 15 principais empresas públicas de 'plataforma' já representam US $ 2,6 trilhões em capitalização de mercado em todo o mundo. Não é por menos que 81% dos executivos dizem que os modelos de negócios baseados em plataformas serão essenciais para sua estratégia de crescimento dentro de três anos.

É um caminho sem volta, pode apostar!

Desafio você a buscar na memória alguma coisa que precisou, mas que não necessariamente queria comprar. Lembrou? A solução pode estar no serviço compartilhado, que é um fator-chave para aumentar a eficiência e reduzir custos.

Na economia digital, os ecossistemas de plataforma são nada menos que a base para a criação de novos valores. Esses ambientes favorecem a troca de conhecimento, conectam pessoas e reduzem os custos. Todos esses fatores são muito importantes e tenho certeza que você quer melhorar a produtividade e o ambiente de trabalho da sua empresa, não é mesmo?

(*) Leo Monte, co-fundador da GR1D e autor da metodologia de inovação Shake UP, é Pesquisador Futurista, especialista em Economia de Plataforma, Transformação Digital e Inovação.

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