QUALIDADE – Notícias

17/07/2017

A segurança de equipamentos elétricos em laboratórios

Da Redação

A IEC 61010-2-034:2017 – Safety requirements for electrical equipment for measurement, control, and laboratory use – Part 2-034: Particular requirements for measurement equipment for insulation resistance and test equipment for electric strength é uma publicação de segurança e se destina, principalmente, a ser usada como uma norma de segurança para os produtos mencionados no escopo, mas também deve ser usada por comitês técnicos na preparação de suas publicações para produtos similares aos mencionados no seu escopo, de acordo com os princípios estabelecidos no Guia IEC 104 e lSO/lEC Guia 51.

A IEC 61010-2-034: 2017 especifica os requisitos de segurança para os equipamentos de medição para resistência de isolamento e equipamentos de teste para resistência elétrica com uma tensão de saída superior a 50 V ca ou 120 V cd. Também se aplica a equipamentos de medição combinados que possuem uma função de medição de resistência de isolamento ou uma função de medição de teste de força elétrica. Tem o status de uma norma horizontal de acordo com o Guia IEC 104. Esta publicação deve ser usada em conjunto com a IEC 61010-1: 2010.

A IEC 61010-1 especifica os requisitos de segurança que são geralmente aplicáveis a todos os equipamentos dentro do seu escopo. Para certos tipos de equipamentos, os requisitos da IEC 61010-1 e suas alterações serão complementados ou modificados pelos requisitos especiais de uma ou mais do que uma da Parte 2 uma norma particular que deve ser usada em conjunto com a Parte 1 – Requisitos.

Esta Parte 2-034 especifica os requisitos de segurança para equipamentos de medição para isolamento e equipamentos de resistência e ensaio para resistência elétrica conectados a unidades, linhas ou circuitos para fins de ensaio ou medição. A Parte 2-030 especifica os requisitos de segurança para equipamentos com circuitos de teste ou de medição que estão conectados para fins de teste ou medição a dispositivos ou circuitos fora do equipamento de medição em si.

A Parte 2-032 especifica os requisitos de segurança para hand-held e a corrente manipulada manualmente por sensores (ver Cláusula 1 da Parte 2-032). A Parte 2-033 especifica os requisitos de segurança para multimetros hand-held e outros medidores que têm um propósito primário de medir a tensão em um circuito ao vivo. Todos os requisitos da Parte 2-030 foram incluídos na Parte 2-034. O equipamento dentro dos escopos da Parte 2-030 e da Parte 2-034 são considerados como cobertos pelos requisitos da Parte 2-034. No entanto, para os equipamentos abrangidos pela Parte 2-032, Parte 2-033 e Parte 034, as normas devem ser usadas em conjunto.

Pode-se dizer que prevenir acidentes fatais com energia elétrica é evitar que o corpo das pessoas se torne parte do circuito elétrico. Isso pode ocorrer de várias formas, com efeitos distintos para cada tipo de situação. Um acidente com energia elétrica, nem sempre, está relacionado diretamente com o efeito do choque elétrico, mas sim com situações perigosas que ele pode desencadear.

Após um choque, por exemplo, uma pessoa pode derrubar uma panela com óleo quente em cima de uma criança na cozinha, cair de um andaime, derrubar uma ferramenta do telhado em alguém, etc. Devido ao fato de a energia elétrica ser invisível faz com que as chances de ocorrência de acidentes são maiores do que comparadas às de outros riscos físicos como a exposição ao calor, por exemplo. Nos Estados Unidos, mais de 3.000 acidentes (300 deles fatais) causados pela energia elétrica em ambientes de trabalho ocorrem por ano. No Brasil, estima-se que o número de acidentes fatais é bem próximo a isso.

Por mais efetivas que sejam as medidas de segurança e a manutenção dos equipamentos, a ocorrência de erro humano pode não ser eliminada, mas deve ser minimizada. O uso da energia elétrica exige dos profissionais algumas precauções para diminuir o risco associado à negligência por falta de conhecimento. Portanto, as pessoas devem ser informadas sobre os riscos a que estão expostas, conhecer os efeitos e as medidas de segurança. Recomenda-se que acidentes com vítimas em estado grave e/ou perda de consciência devem ser atendidos pelos seguintes serviços especializados de emergência.

O choque elétrico é a perturbação de natureza e efeitos diversos que se manifesta no organismo humano quando este é percorrido por uma corrente elétrica. É a passagem de uma corrente elétrica através do corpo, utilizado como condutor. O nível de tensão mais perigoso é o de baixa tensão (até 220 volts), pois a quantidade de pessoas expostas a este nível é muito maior do que a altas ou médias tensões.

Além disso, a quantidade de leigos expostos a esse nível de tensão é muito grande. O choque elétrico ocorre apenas quando o contato é feito entre dois pontos (ou contatos) do circuito com tensão distinta, ou seja, a tensão é aplicada através do corpo humano. Existem diversas formas de um o corpo humano ser inserido como condutor nestes dois pontos do circuito elétrico.

Entre uma parte energizada e outra não energizada, o choque elétrico pode ocorrer, por exemplo, ao toque em uma das fases e, ao mesmo tempo, no fio neutro ou no fio terra (ou ao chão, estando descalço). Nesta condição a corrente atravessa o coração, na maioria dos casos. A pessoa será submetida a uma tensão de 110 ou 127V.

Entre duas partes energizadas, esse choque elétrico é muito semelhando com o do item anterior, porém, ocorre quando duas fases distintas e energizadas são tocadas por duas partes distintas do corpo da pessoa. A tensão a qual a pessoa é submetida é maior do que no caso anterior (em geral, será de 220 V). Desta forma, a corrente que percorrerá o corpo também é maior e pode provocar danos mais sérios, tendo grande probabilidade de passar pelo coração.

Os efeitos causados por choques elétricos podem ser reversíveis ou irreversíveis. A corrente pode ser facilmente determinada pela lei de Ohm (I = E/Z), sendo Z a impedância total do circuito e não apenas do corpo humano. Porém, a impedância predominante é a do corpo quando se trata de um circuito de potência, cuja impedância interna é bem pequena.

Em frequências baixas, a impedância do corpo humano é essencialmente resistiva. Em tensões baixas (geralmente 110-220V), o fator mais significante que limita a corrente pelo corpo humano é a resistência de contato. A resistência da pele humana varia bastante em diferentes partes do corpo e de indivíduo para indivíduo, sendo que a pele seca pode ter uma resistência entre 100.000 e 300.000 ohms por centímetro quadrado, porém, quando úmida, pode chegar a 1% deste valor.

Experimentos demonstraram que mais de 99,5% da população pode, voluntariamente, deixar passar 6 mA pelo corpo. Conforme este valor se eleva, outros efeitos vão surgindo: as pessoas podem ficar grudadas aos condutores pela contração involuntária dos músculos ou pela incapacidade de se mover, podem sofrer parada respiratória (acima de 18 mA) e aumento da possibilidade de ocorrência de fibrilação ventricular (acima de 30 mA). Caso a fibrilação ventricular (tipo de arritmia cardíaca) ocorra, o ritmo cardíaco da vítima deve ser reestabelecido pelo uso do desfibrilador ou, como consequência, poderá ocorrer a morte por parada cardíaca.

A montagem e execução dos experimentos em laboratórios devem ser conduzidas de forma a garantir a segurança de todos. Para tanto, há cuidados que devem ser seguidos por todos os laboratoristas quanto à preparação dos experimentos, montagem dos arranjos experimentais e execução do roteiro de laboratório. A operação dos instrumentos de medição normalmente é feita com os circuitos energizados e, portanto, são necessários cuidados no seu manuseio.

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