QUALIDADE – Notícias

23/02/2017

A qualidade das geomembranas termoplásticas em obras

Da Redação

A NBR 16199 de 07/2013 – Geomembranas termoplásticas – Instalação em obras geotécnicas e de saneamento ambiental estabelece os requisitos a serem cumpridos por projetistas para a especificação e detalhamento dos projetos básico e executivo da instalação de geomembranas termoplásticas utilizadas como barreira em sistemas de controle e desvio de fluxo, em obras geotécnicas ou de proteção ambiental. Estabelece procedimentos também aos proprietários, gerenciadores e fiscalizadores das obras que utilizam geomembranas, assim como as empresas que executam a sua instalação, tendo a finalidade de assegurar a correta execução dos serviços e a qualidade da obra como um todo.

Para a especificação da geomembrana no projeto básico, devem ser levadas em consideração as solicitações físico-químicas, mecânicas e características de difusão que a geomembrana deve satisfazer, assim como os tempos de solicitação a que ela está submetida, considerando as fases de instalação e vida útil projetada da obra. O projeto básico deve contemplar: a concepção do sistema de revestimento; aspectos geotécnicos, como as características do local e suas singularidades, eventuais contaminações anteriores, a capacidade de suporte do solo de apoio, a estabilidade dos taludes e dos revestimentos (sistemas de proteção, drenagem e cobertura); a presença de fluxo por elevação do lençol freático ou por gases e líquidos provenientes de contaminações anteriores; nas obras tipo I (ver 3.1: obras nas quais falhas na barreira causam danos ambientais), as características dos resíduos, efluentes ou percolados a serem armazenados, avaliando a sua periculosidade, os elementos que podem causar interações prejudiciais e a sua concentração máxima, a partir de caracterização criteriosa realizada por especialistas; e as características ambientais locais.

O projeto básico deve definir: a topografia do local e a geometria da área a ser revestida; o tipo, a quantidade e a posição das interferências (ver 3.15), as quais devem ser as mínimas possíveis; os diversos sistemas drenantes para a captação e condução dos fluidos ou gases sob e sobre a geomembrana, na cobertura e na periferia da área revestida; nas obras tipo I (ver 3.1), as características de difusão que a geomembrana deve satisfazer; nas obras tipo I (ver 3.1), os tempos de duração das solicitações considerando as fases de instalação e vida útil projetada da obra; nas obras tipo I (ver 3.1), as solicitações físico-químicas e mecânicas a que a geomembrana está submetida; e os fatores de redução correspondentes, quando necessários.

O projeto básico deve especificar as propriedades da geomembrana e dos demais geossintéticos e materiais envolvidos quanto às solicitações de instalação e de vida útil projetada da obra. No caso de apoio em camada de argila compactada, convém que seja indicada a faixa granulométrica da argila a ser utilizada, de modo a evitar partículas que possam danificar ou puncionar a geomembrana.

O projeto executivo deve indicar a qualificação e a quantificação da geomembrana escolhida, incluindo o tipo de polímero e a espessura, de acordo com a finalidade da obra e com os níveis de tensões atuantes. O projeto executivo, para as obras do tipo I, deve apresentar no mínimo as informações e/ou recomendações relacionadas em 4.2.2 a 4.2.11. Para as obras do tipo II, fica a critério do projetista a adoção dos itens cabíveis à obra em questão.

O projeto executivo deve indicar a especificação, a modulação dos painéis, o sistema de ancoragem e também as características mínimas da geomembrana escolhida. Recomenda-se especificar pelo menos as seguintes características: densidade; espessura nominal; resistência à tração na ruptura e no escoamento e respectivos alongamentos; resistência ao puncionamento; ensaios que identifiquem as características de durabilidade relevantes para a finalidade do projeto, como, por exemplo, a resistência química e a resistência ao intemperismo.

O projeto executivo deve estabelecer as diretrizes para assegurar a qualidade da instalação, indicando os critérios qualitativos e quantitativos a serem utilizados para verificar: a qualidade da geomembrana recebida, recomendando os ensaios a serem executados e o critério de aceitação; as etapas de instalação; as emendas de fábrica e/ou de campo, indicando a frequência de execução dos ensaios destrutivos e não destrutivos nas soldas. Devem ser estabelecidos também os critérios ou métodos de aceitação final da obra e de monitoramento ao longo do tempo de vida útil projetada da obra.

Em função do tipo e da responsabilidade da obra, é recomendado que as propriedades da geomembrana sejam comprovadas pelo cliente, após o seu recebimento na obra, através de ensaios realizados por laboratório independente, segundo as normas brasileiras, ou outras adotadas internacionalmente. As amostras devem ser retiradas e preparadas conforme a NBR ISO 9862. Outros procedimentos que complementem as recomendações acima ficam a critério do projetista.

A quantidade total de geomembrana a ser utilizada deve considerar inclusive os comprimentos de ancoragem, a sobreposição nas emendas (transpasse) e interferências e perdas na modulação (cantos e quinas, por exemplo). Devem ser especificados detalhes como uniões com as interferências e outros que sejam pertinentes à obra em questão. Devem ser feitas recomendações para o armazenamento da geomembrana.

Recomenda-se o estabelecimento da sequência executiva, incluindo os cuidados a serem tomados durante a instalação da geomembrana e dos elementos de proteção e drenagem associados. Recomenda-se tomar cuidado com a geomembrana enquanto a obra estiver operando e quando for necessária manutenção das áreas revestidas. Deve ser levado em consideração o regime de chuvas da região onde será instalada a geomembrana, recomendando evitar a instalação neste período, alertando para os possíveis riscos de erosão dos taludes a serem revestidos, da elevação do nível freático, assim como da segurança dos soldadores que operam equipamentos elétricos.

Dependendo do tipo do polímero da geomembrana especificada, devem ser feitas recomendações sobre os intervalos de temperatura ideais para a instalação da geomembrana, considerando que, em função do coeficiente de dilatação e da temperatura ambiente, a geomembrana pode sofrer alongamento e/ou retração considerável. É recomendado que a instalação, a solda dos painéis e a ancoragem sejam feitas nos períodos de menor temperatura, de modo a reduzir as solicitações de tração por alongamento e/ou retração e evitar soldas em painéis com rugas.

Deve ser previsto o uso de ancoragens temporárias no intervalo de tempo entre a colocação, a realização das emendas e a ancoragem definitiva, para que não ocorra levantamento da geomembrana pelo vento. O descarregamento na obra deve ser feito, de preferência, por empilhadeiras ou equipamento equivalente, como caminhões equipados com guindaste, tratores com pá etc., os quais permitam o içamento das bobinas ou painéis e a movimentação segura.

O içamento deve ser efetuado utilizando-se, por exemplo, cintas de poliéster, içando o material através de no mínimo dois pontos de sustentação, de forma a evitar deformações. Não podem ser usadas cintas e/ou cabos metálicos. Quando não houver disponibilidade de equipamentos adequados para movimentação, podem-se utilizar pranchas de madeira encostadas no caminhão, funcionando como um plano inclinado; e, através de cintas e/ou cordas não metálicas, efetuar o rolamento criterioso das bobinas ou dos painéis da carroceria do caminhão até o chão ou o local da estocagem.

A preparação da superfície de apoio deve ser executada previamente, de acordo com as especificações do projeto executivo. Em obras do tipo I, esta superfície deve seguir rigorosamente as declividades indicadas para a área da base, de modo a garantir a condução rápida do percolado no elemento drenante.

No caso de sistemas compostos por geomembrana e solo compactado, a superfície de apoio (fundo e taludes da escavação) deve estar regularizada, compactada e isenta de qualquer tipo de material contundente, depressões e mudanças abruptas na inclinação do terreno não previstas no projeto. Recomenda-se promover a limpeza da superfície imediatamente antes da colocação da geomembrana.

Em sistemas simples, a superfície de apoio deve ter as características mecânicas exigidas pelo projeto, além de estar regularizada e isenta de qualquer tipo de material contundente, depressões e mudanças abruptas na inclinação do terreno ou receber uma camada de elemento de proteção (um geossintético ou solo de granulometria fina, desde que não seja solo orgânico). Recomenda-se que a colocação da geomembrana seja realizada imediatamente após os serviços de preparação da superfície de apoio, para evitar a deterioração do terreno produzida por chuva, vento, perda de umidade do solo e trânsito local.

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