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15/02/2018

A utilização e a inspeção de linga de cabo de aço

Da Redação

 

As lingas de cabos de aço são formadas por um cabo de aço de uma determinada metragem que em suas extremidades possuem um olhal prensado. Por definição servem para prender um determinado objeto e elevá-lo por meio mecânico. Geralmente são formadas por um anel de carga que fixa uma, duas, três ou quatro pernas de cabos de aço. Em suas extremidades, podem ser acompanhados de alguns acessórios, como: sapatilhos protetores, presilhas de aço ou de alumínio, ganchos ou manilhas de carga.

Podem ser fabricadas a partir dos cabos de aço polidos, galvanizados ou inoxidáveis e todas elas precisam ser submetidas, de acordo com a norma técnica, a provas rigorosas correspondentes às mais exigentes especificações utilizadas na fabricação de cabos de aço. Os materiais aprovados por estes ensaios garantem a segurança e a boa qualidade do produto acabado. Os cabos de aço utilizados para movimentação de carga através das lingas são das classes 6X19 ou 6X36.

A NBR 13541-2 de 11/2017 - Linga de cabo de aço - Parte 2: Utilização e inspeção fornece orientações para utilização e inspeção em operação de linga de cabo de aço para uso geral.

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Como deve ser feito o transporte com lingas de múltiplas pernas com pernas não utilizadas?

Quais os efeitos resultantes da carga fora de equilíbrio?

Como deve ser realizado o carregamento assimétrico?

Qual a periodicidade e a abrangência da inspeção?

Há restrições para utilização das terminações de lingas. Por exemplo, o olhal trançado flamengo com presilha de aço (tipo 1) não pode ser utilizado em temperaturas superiores a 80 °C para cabo com alma de fibra e 100 °C para cabo com alma de aço. Para temperaturas de operação entre 100 °C e 200 °C com cabo com alma de aço, é permitida a utilização considerando uma redução de 10 % na carga máxima de trabalho (ver ISO 16625:2013, B 10.1).

O olhal trançado flamengo com presilha de alumínio não pode ser utilizado nas seguintes condições: em temperaturas superiores a 80 °C para cabo com alma de fibra e 100 °C para cabo com alma de aço; em contato com águas salgadas; em contato com superfícies abrasivas. O olhal trançado manualmente não pode ser utilizado em temperaturas superiores a 80 °C para cabo com alma de fibra e 100 °C para cabo com alma de aço.

O olhal dobrado com presilha de alumínio não pode ser utilizado nas seguintes condições: a) em cargas suspensas; em temperaturas superiores a 80 °C para cabo com alma de fibra e 100 °C para cabo com alma de aço; em contato com águas salgadas; em contato com superfícies abrasivas. Os métodos recomendados para utilização das lingas (lingas de uma perna e conjunto de duas pernas) de cabos de aço são apresentados na tabela.

 

 

As pernas das lingas podem estar associadas à carga de várias maneiras: fixação direta, método forca e método cesta. Para a fixação direta, os terminais inferiores são conectados diretamente aos pontos de fixação. A seleção de ganchos e pontos de fixação deve permitir que a carga seja transportada no assento do gancho, evitando a carga na ponta.

Antes do início do içamento da carga recomenda-se verificar que a mesma esteja segura para ser movimentada de maneira que não haja nenhuma obstrução, partes soltas e que a carga esteja devidamente fixada. Deve ser tomado cuidado para que a carga não seja danificada pela linga ou vice-versa. Quando a linga for fixada à carga, os pontos utilizados para a fixação (por exemplo, olhais) devem ser adequados ao içamento da carga.

Para evitar balanços perigosos e posicionar a carga, a utilização de um cabo-guia ou vara de manobra é recomendada. Quando as cargas são aceleradas ou desaceleradas subitamente, ocorrem forças dinâmicas que aumentam as tensões na linga. Estas situações devem ser evitadas e ocorrem, por exemplo, quando não se retira a folga da linga antes de começar o içamento.

É essencial que a massa da carga a ser içada seja conhecida (ver Anexo B). Após a escolha do método de içamento, deve-se escolher a linga adequada, compatível com a carga a ser içada. O tipo de linga e o método de içamento utilizado devem assegurar que a carga não escorregue.

A pessoa responsável pelo içamento deve assegurar que as lingas estejam em boas condições. Lingas danificadas ou deterioradas, a tal ponto que não sejam consideradas seguras para o uso, devem ser descartadas imediatamente. A pessoa responsável pelo içamento deve assegurar-se de que a carga fique balanceada quando içada. As lingas devem ser fixadas nos pontos projetados para o içamento da carga.

Se estes pontos não estiverem marcados na carga, deve-se utilizar a posição do centro de gravidade para definir os pontos de fixação. Para a fixação da linga, é necessário assegurar que os acessórios dos terminais inferiores e superiores estejam posicionados, com liberdade de movimento, de forma a garantir o alinhamento com a direção da força na linga. Os terminais estejam propriamente assentados. Nunca forçar com martelo ou cunha a linga na posição.

O ângulo entre as pernas nas lingas de múltiplas pernas não exceda aquele para o qual a linga foi projetada e identificada e a linga não seja dobrada através de cantos vivos que possam danificá-la ou reduzir a sua resistência. Quando necessário, devem ser utilizadas calhas ou outros acessórios para arredondar os cantos vivos. No caso de linga com mais de uma perna, a ponta do gancho da linga deve ser direcionada para fora.

Esse método pode ser utilizado quando não existirem pontos de fixação adequados disponíveis. Quando o método forca é empregado, o limite de carga de trabalho da linga não pode ser maior que 80 % do indicado na marcação. Uma linga com método forca não pode ser utilizada para girar ou arrastar uma carga, a menos que sejam tomados cuidados especiais que evitem a danificação da linga ou da carga.

Estas precauções podem ser, por exemplo, uma redução da carga de trabalho da linga. Ao içar ou abaixar a carga, é necessário assegurar que: seja utilizado um código de sinais reconhecido e entendido por todos os envolvidos, ver NBR 11436; não haja nada que impeça o livre movimento da carga (por exemplo, parafusos ou juntas segurando a carga); não haja obstáculos, como cabos ou tubos, que possam ser abalroados, e haja altura suficiente para o içamento; todas as pessoas envolvidas na operação possam se comunicar e sempre que possível se ver; todo pessoal esteja afastado da carga; caso contrário, cuidados especiais devem ser tomados quando se der início ao içamento e ao controle dos movimentos da carga; a carga esteja balanceada; a carga seja içada ou abaixada uniformemente; a linga não fique presa sob a carga (se necessário, deve-se colocar calços, evitando-se que a carga ou as lingas sejam danificadas); sempre que possível, em lingas de múltiplas pernas, não haja nenhuma perna balançando livremente, pois mesmo quando as lingas não utilizadas são fixadas no anel de carga ou no olhal.

Recomenda-se que a área de carga seja preparada. Recomenda-se assegurar que o solo ou piso seja de resistência adequada para suportar a carga, tendo em conta eventuais vazios, dutos, tubulações etc., que podem ser danificados ou colapsados. Também se recomenda assegurar que haja acesso adequado ao local e que este esteja livre de quaisquer obstáculos desnecessários e pessoas.

É preferível utilizar paletes de madeira ou material similar, para evitar que a linga fique presa, para proteger o piso ou a carga, ou para assegurar a estabilidade da carga, quando descarregada. Recomenda-se que a carga seja posicionada com cuidado assegurando que as mãos e os pés sejam mantidos afastados. Convém que cuidados sejam tomados para evitar que a linga fique presa sob a carga, pois isso pode danificá-la.

Antes de deixar a linga folgada, recomenda-se que seja verificada a carga para garantir que ela esteja devidamente apoiada e estável. Isto é especialmente importante quando vários objetos soltos estão fixados no método cesta e forca. Quando a carga estiver segura, convém que a linga seja cuidadosamente removida para evitar danos, chicoteamento ou tombamento da carga. Recomenda-se que a carga não seja rolada fora da linga, pois isso pode danificá-la.

Quando não estiver em uso, recomenda-se que a linga seja mantida em um palete ou suporte adequado. A linga não pode ficar em contato com o solo ou exposta ao tempo, visto que ela pode ser danificada. Se a linga estiver suspensa a partir de um gancho do equipamento de movimentação de carga, convém que os ganchos da linga sejam engatados no anel de carga para reduzir o risco das pernas da linga balançarem livremente ou chicotearem, prenderem ou esbarrarem em algum obstáculo.

Caso a linga venha a ficar fora de utilização por algum tempo, recomenda-se que ela seja limpa, seca e protegida contra a corrosão, utilizando produto de fácil remoção que não prejudique a inspeção posterior. Durante o serviço, as lingas de cabo de aço estão sujeitas a condições que afetam sua segurança. Portanto, é necessário assegurar que a linga esteja segura para uso.

As lingas devem ser inspecionadas visualmente pelo sinaleiro/amarrador de carga quanto a defeitos ou deteriorações, antes de cada série de movimentações e, a intervalos adequados, durante cada série. Havendo dúvidas quanto às condições de segurança da linga, esta deve ser colocada fora de serviço e submetida à inspeção completa. Se a identificação completa da linga não estiver presente, o sinaleiro/amarrador de carga deve retirar a linga de serviço e enviar para reclassificação e inspeção completa.

A inspeção completa deve ser efetuada por pessoa qualificada. A inspeção completa deve ser feita a intervalos não excedendo 12 meses. Este intervalo deve ser reduzido, quando necessário, em função das condições de serviço. Recomenda-se que em períodos não superiores a 48 meses sejam feitos ensaios de carga de prova e ensaios não destrutivos conforme o Anexo A.

A pessoa qualificada deve verificar se a linga está marcada conforme a NBR 13541-1. Quando o ensaio de carga de prova é requerido, o ensaio não destrutivo e a inspeção visual devem ser efetuados após o ensaio da carga de prova. Para facilitar a inspeção, pode ser necessária a limpeza da linga para que esteja livre de óleos, sujeira e oxidação. Recomenda-se utilizar uma escova de aço. Outros métodos podem ser utilizados desde que o metal de base do arame não seja danificado. Os métodos a serem evitados são aqueles que utilizam ácido, superaquecimento ou remoção de metal.

O registro (rastreável) das inspeções deve ser mantido, contendo no mínimo as informações seguintes: dados do cliente; identificação das lingas (lote com mesma especificação); fabricante; número de série; não conformidades, se houver; laudo; recomendações (preservação, troca de pernas ou descarte da linga); data, nome, assinatura e registro do inspetor. O Anexo C apresenta exemplos de formulários de inspeção completa por lote ou individual. A linga deve ser retirada de serviço se quaisquer das condições especificadas nessa norma estiverem presentes ou forem alcançadas ou excedidas.

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