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01/12/2015

Explosão no Rio de Janeiro: evitando os riscos com o gás de cozinha e de rua cumprindo as normas técnicas

Por Mauricio Ferraz de Paiva

As avaliações das causas da explosão ocorrida no Rio de Janeiro apontam um possível vazamento de gás. A principal hipótese é que o vazamento tenha tido origem em um restaurante de comida a quilo ou na pizzaria. Há suspeita de que um dos dois estabelecimentos estocassem gás irregularmente.

Os vazamentos de gás são muito perigosos, podendo provocar vários acidentes como explosões, incêndios, queimaduras ou asfixia, devido ao manuseio do recipiente, fogão ou dos aquecedores. Por isso é fundamental resolver vazamentos desse tipo com grande agilidade, evitando complicações. Além de cumprir as normas técnicas, para evitar problemas esse tipo de vazamento fique atento as seguintes situações: o cheiro de gás é o principal alarme de que algo esta errado; um aumento significativo na conta de gás é também um indício que pode existir algum vazamento; e as tubulações merecem bastante atenção, se houver ferrugem é preciso manutenção.

Para as instalações de gás encanado existem normas técnicas que obrigatoriamente devem ser cumpridas. A NBR 15923 de 02/2011 – Inspeção de rede de distribuição interna de gases combustíveis em instalações residenciais e instalação de aparelhos a gás para uso residencial – Procedimento estabelece os requisitos mínimos exigíveis para a inspeção de redes de distribuição interna de gases combustíveis em instalações residenciais, conforme NBR 15526 (em suas partes aparentes), e de instalação de aparelhos a gás para uso residencial, conforme a NBR 13103. As regulamentações legais (leis, decretos, portarias; nos âmbitos federal, estadual ou municipal) devem ser observadas.

Esta norma pode ser aplicável, por exemplo, às seguintes situações: rede de distribuição interna em uso: na sua inspeção periódica; na substituição do tipo ou fornecedor do gás; na sua reforma ou ampliação; na substituição ou instalação de aparelhos a gás; rede de distribuição interna nova: na liberação para comissionamento do gás combustível; e na instalação de aparelhos a gás. No desenvolvimento das atividades de inspeção estabelecidos nesta norma, deve-se levar em consideração a necessidade de esclarecimentos com antecedência à execução do serviço e a adequada coordenação entre os inspetores e o consumidor ou seu preposto (administrador, síndico, outros representantes legais).

Outra norma a ser obedecida é a NBR 15526 de 12/2012 – Redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais – Projeto e execução que estabelece os requisitos mínimos exigíveis para o projeto e a execução de redes de distribuição interna para gases combustíveis em instalações residenciais e comerciais que não excedam a pressão de operação de 150 kPa (1,53 kgf/cm²) e que possam ser abastecidas tanto por canalização de rua (conforme NBR 12712 e NBR 14461) como por uma central de gás (conforme NBR 13523 ou outra norma aplicável), sendo o gás conduzido até os pontos de utilização através de um sistema de tubulações.

Para o GLP ou gás de cozinha, os riscos normalmente estão relacionados com as áreas onde são estocados os recipientes. A NBR 15514 de 08/2007 – Área de armazenamento de recipientes transportáveis de gás liquefeito de petróleo (GLP), destinados ou não à comercialização – Critérios de segurança estabelece os requisitos mínimos de segurança das áreas de armazenamento de recipientes transportáveis de gás liquefeito de petróleo (GLP) com capacidade nominal de até 90 kg de GLP (inclusive), destinados ou não à comercialização. Esta norma não se aplica às bases de armazenamento e envasamento para distribuição de GLP, devendo, para tal, ser observada a NBR 15186, e aos recipientes de GLP quando novos ou em uso.

Enfim, os vazamentos precisam ser evitados, pois são as causas da maioria dos acidentes com gás. Eles ocorrem por falta do cumprimento das normas técnicas e por descuidos no manuseio do recipiente, do fogão ou dos aquecedores e podem provocar explosões, incêndios, queimaduras ou asfixia.

Raramente o botijão de gás explode, porém, geralmente, o que há é uma explosão ambiental do gás que vazou. Só com uma temperatura muito alta é possível o botijão explodir, porque ele tem uma válvula de segurança.

Há perigo dentro do fogão quando ocorrer vazamentos de gás, que acabam escapando pelos botões e levando o perigo para dentro da casa, mesmo que o botijão esteja do lado de fora. O gás de cozinha é mais pesado do que o ar e, quando há vazamentos, vai se acumulando a partir do chão, expulsando o oxigênio e preenchendo o ambiente.

Ele não é tóxico, mas tem efeito anestésico. Dependendo da quantidade e do local onde ocorrer o vazamento, pode levar à asfixia. Para evitar acidentes desse tipo, nunca instale o recipiente de gás ou aquecedores em locais fechados.

Os fogões e os aquecedores de água utilizam gás natural, normalmente chamado de gás encanado e cada vez mais utilizado por sua maior segurança e por tratar-se de fonte de energia limpa, formada nas camadas de subsolo genuinamente naturais que em sua combustão gera poucos subprodutos. Os especialistas dizem que as diferenças entre o GLP e o gás encanado ou natural não estão apenas na sua origem.

O gás encanado é mais leve que o ar e em casos de vazamento, dissipa-se com maior facilidade na atmosfera e tornando menos frequentes explosões e acidentes. Já no caso do GLP, o gás é mais pesado que o ar e se acumula facilmente em ambientes fechados e assim podendo formar o efeito bolsão, responsável por grande parte dos graves acidentes associados ao vazamento de gás.

Deve-se ficar atento às cores das chamas. Elas devem apresentar coloração azulada e caso aparentem estar amareladas é sinal que os queimadores estão sujos ou entupidos, o que aumenta o consumo de gás. Lave-os com água e detergente regularmente e os coloque de volta apenas quando estiverem completamente secos.

Tanto o GLP quanto o gás natural necessitam de cuidados quando utilizados. Ambos são inodoros e possuem enxofre em sua composição para identificar possíveis vazamentos. Assim, em casos de suspeita de vazamento ou cheiro de gás, não risque fósforos, fume ou ligue aparelhos elétricos. Abra portas e janelas para que o ar circule e o gás se dissipe. Depois, verifique a origem do problema.

Já existem detectores de gás comercializados. Os aparelhos são constituídos por sensores e alarme que são ativados quando o acumulo que gás passa dos limites toleráveis.

Em casas que possuírem aquecedores de água a gás a instalação de chaminés é indispensável. A queima do gás produz substâncias que devem ser levadas para fora dos ambientes. Verifique regularmente se as conexões da chaminé estão reguladas.

Os aquecedores de água consomem muito oxigênio, logo devem ser instalados em lugares bem ventilados. Por isso, nunca feche completamente os basculantes enquanto o aquecedor estiver ligado.

Os ambientes onde aparelhos movidos a gás estiverem instalados devem ter o ar constantemente renovado. Nunca feche completamente as janelas quando estes aparelhos estiverem funcionando e verifique sempre se as ventilações permanentes não estão obstruídas.

Deve-se fazer vistoria de tempos em tempos nos aparelhos de gás para se certificar que estão funcionando corretamente, pelo menos uma vez por ano. Checar se os queimadores de fogão não estão desregulados e se não há acúmulo de fuligem nas chaminés, o que pode evitar acidentes e casos de intoxicação. Como medida de segurança, troque sempre os registros e os dutos de gás de seus equipamentos.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria.

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