QUALIDADE – Artigos

08/10/2015

Sistemas de aquecimento devem cumprir obrigatoriamente as normas técnicas

Por Mauricio Ferraz de Paiva

O mais conhecido de todos é o chuveiro elétrico, que pode ser considerado um sistema de aquecimento localizado. A água quente é fornecida diretamente na mesma unidade onde será aquecida. Os aquecedores de passagem são também chamados de aquecedores rápidos. Podem ser elétricos ou a gás. Existem também os aquecedores de passagem à gás. Os aquecedores de acumulação podem ser elétricos, a gás ou solares.

Segundo os especialistas, dos sistemas existentes, o que tem demonstrado mais economia durante o uso e menor impacto ambiental é o solar por causa da gratuidade da fonte de energia A energia solar é obtida por meio de uma tecnologia de coleta da radiação em equipamentos que a transformam em energia térmica, aquecendo então a água que seguirá para um reservatório térmico, onde fica disponível para o banho.

A instalação de placas coletoras e de um reservatório térmico em uma residência pequena, por exemplo, gera uma economia no consumo de energia (comparando com a energia elétrica e o gás) que pode pagar o investimento inicial, orçado por volta de R$ 2.000,00, em um intervalo de tempo de um a dois anos, dependendo do uso do equipamento. A difusão do aquecimento solar em larga escala pode provocar ganhos relevantes também para o meio ambiente.

Os modelos híbridos de aquecimento – aquele que combina energia solar com elétrico ou o solar com o gás – podem ser considerados como as soluções mais adequadas. Por exemplo, o solar/elétrico reúne as vantagens do chuveiro elétrico com as do coletor solar, permitindo economia de energia elétrica na maior parte dos dias em que o aquecimento da água seria feito pela energia solar e a complementação do aquecimento, quando necessária, seria fornecida pelo sistema elétrico.

Para o consumidor, as vantagens e as desvantagens dos sistemas de aquecimento variam de um para outro, sendo necessário considerar para fazer a avaliação a mesma vazão de água e de temperatura. O sistema elétrico, por exemplo, é mais vantajoso na hora da aquisição do chuveiro, com custo relativamente baixo, porém, o custo da energia elétrica para operação do equipamento – pelo lado da geração, transmissão e distribuição – é cada vez mais alto.

Já o solar implica em custo alto para a instalação das placas solares e custo praticamente zero de funcionamento. Já o preço de aquisição do sistema à gás é pouco inferior ao do aquecedor solar e os custos de operação estão em posição intermediária entre o solar e o elétrico.

O híbrido solar/elétrico, por sua vez, tem preço de aquisição alto, principalmente por causa do aquecedor solar, e custo de operação baixo, porque pode atender cerca de 70% das necessidades de água quente de uma residência sem necessidade de aquecimento elétrico. Para os 30% restantes, em dias de chuva e céu nublado, o chuveiro elétrico entra em funcionamento. Quanto ao híbrido solar/gás, a aquisição é alta e o custo de operação é mais baixo que o híbrido solar/elétrico, porque o custo do gás é mais baixo do que a o da eletricidade para cumprir a mesma função.

Os usuários devem se lembrar que o sistema elétrico tem custo alto de produção porque as usinas precisam disponibilizar eletricidade para atender a demanda da população principalmente nos horários de pico, das 17 às 20 horas. O solar tem custo baixo de infraestrutura, exigindo apenas que haja por parte do governo linhas de financiamentos para aquisição dos equipamentos.

Em comparação, o gás tem custo médio devido ao investimento necessário para canalização do gás natural ou na logística de distribuição dos botijões. O sistema híbrido solar/elétrico se torna viável porque diminui a demanda por eletricidade e reduz a pressão para construção de novas usinas geradoras de energia elétrica. O híbrido solar/gás também é considerado interessante por não demandar energia elétrica, podendo significar o desligamento permanente de algumas termelétricas que entram em funcionamento somente nos horários de pico para atender a demanda de energia dos chuveiros elétricos.

Quanto às normas técnicas, a NBR 15569 de 02/2008 – Sistema de aquecimento solar de água em circuito direto – Projeto e instalação estabelece os requisitos para o sistema de aquecimento solar (SAS), considerando aspectos de concepção, dimensionamento, arranjo hidráulico, instalação e manutenção, onde o fluido de transporte é a água. Aplica-se ao SAS composto por coletores solares planos, com ou sem reservatórios térmicos, e com eventual sistema de aquecimento de água auxiliar. Não é aplicável ao aquecimento de água de piscinas nem a sistemas de aquecimento solar em circuito indireto.

A NBR 16057 de 04/2012 – Sistema de aquecimento de água a gás (SAAG) – Projeto e instalação estabelece os requisitos para o projeto (contemplando concepção, dimensionamento,arranjo hidráulico e especificação de componentes, entre outros) e a instalação (contemplando montagem, ensaios, entre outros) de Sistema de Aquecimento de Água a Gás (SAAG) para sistemas prediais e uso humano. Aplica-se aos seguintes gases combustíveis: gás natural (GN), gases liquefeitos de petróleo (GLP, propano, butano) em fase vapor e mistura ar e GLP. Não é aplicável na geração de vapor e ao aquecimento de água para processos industriais.

A NBR 16305 de 09/2014 – Aparelhos elétricos fixos de aquecimento instantâneo de água – Requisitos de desempenho e segurança especifica as condições de desempenho e segurança aplicadas a aparelhos elétricos fixos de aquecimento instantâneo de água, de uso doméstico ou similar, destinados ao aquecimento da água à temperatura abaixo do seu ponto de ebulição, cuja tensão nominal não seja superior a 220 V, para aparelhos monofásicos, e 380 V para outros aparelhos. Os elementos de aquecimento incorporados aos aparelhos elétricos fixos de aquecimento instantâneo de água podem ser blindados ou nus.

Quanto à manutenção, existe a NBR 13971 de 01/2014 – Sistemas de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento – Manutenção programada que estabelece orientações básicas para as atividades e serviços necessários na manutenção de conjuntos e componentes, em sistemas e equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento. Esta norma, em conformidade com a NBR 16401-1, aplica-se a equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento voltados ao atendimento das exigências de qualidade do ar, conforto e processo, respeitando-se as condições de referência.

Para a execução da manutenção programada, a instalação deve atender aos seguintes itens: facilidade de acesso; iluminação adequada para a prática das atividades; ponto de energia elétrica compatível com as atividades a serem desenvolvidas; pontos de água e de drenagem; ponto de ar comprimido (recomendável); ponto de internet (recomendável); sala de máquinas limpa e desimpedida, livre de objetos que não tenham uma função determinada neste local; estar operando sem pendências provenientes da necessidade de intervenções corretivas, ou seja, nas condições de referência.

Quanto à documentação, é necessário disponibilizar para a equipe de manutenção os documentos técnicos referentes à instalação, como: projeto, memorial descritivo, folhas de dados, manuais de operação e manutenção, fichas de partida e outros. Os intervalos para as atividades periódicas não estão indicados nesta norma e devem ser definidos pelo profissional habilitado, considerando-se os seguintes aspectos: tipo de equipamento; tempo efetivo de operação; regime de operação; tipo de aplicação; grau de agressividade do ambiente; disponibilidade da instalação para manutenção; e fatores específicos da instalação.

As atividades apresentadas nesta norma definem as tarefas aplicáveis à maioria dos conjuntos e dos componentes dos sistemas e equipamentos de refrigeração, condicionamento de ar, ventilação e aquecimento. As atividades estão estabelecidas nas Tabelas 2 a 14 (disponíveis na norma), classificadas em dois tipos: P = atividades periódicas a serem executadas em intervalos de tempo regulares, preestabelecidos; e S = atividades a serem executadas, se necessário, em função de avaliação durante os serviços de campo.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria.

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