QUALIDADE – Notícias

10/07/2018

Aprendizagem ativa na sala de aula: evolução para a economia do conhecimento

Por Fernando Maroniene

Nos dias de hoje, captar a atenção dos alunos é um dos maiores desafios dos professores. Na era da conectividade constante e instantânea, a capacidade de concentração do estudante tem diminuído consideravelmente. Isso significa que os dias em sala de aula podem acabar em um futuro próximo. A prática de aprendizagem em sala de aula teve origem há 900 anos, quando as primeiras universidades surgiram na Europa Ocidental. No entanto, essa ainda é a forma predominante de obtenção de informações em algumas instituições de educação superior. Apesar de ser um método de ensino cada vez menos efetivo, fica a pergunta: De que outra maneira os professores universitários podem envolver os alunos?

As teorias e tendências no setor da educação superior atualmente focam em um método cada vez mais popular, que tem demonstrado ser mais eficaz entre os estudantes de hoje: a aprendizagem ativa.

As novas gerações apostam na aprendizagem ativa

Através do método, os professores transformam-se em facilitadores, explorando um conjunto de experiências de aprendizagem mais colaborativas e personalizadas. A pesquisa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) analisou 225 estudos que informaram as pontuações nos exames e o desempenho estudantil nos cursos de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, comparando as metodologias tradicionais à aprendizagem ativa. Os resultados indicaram que as médias nos exames melhoraram cerca de 6% nas áreas de aprendizagem ativa, e que os estudantes submetidos às aulas tradicionais tinham 1,5 vezes mais probabilidade de serem reprovados do que os alunos submetidos à aprendizagem ativa.

A transformação trazida pelo método consiste em reduzir o número de aulas e focar no desenvolvimento de projetos em grupo e em outras formas de aprendizagem ativa. De acordo com uma pesquisa recente, 69% dos professores e funcionários administrativos de nível superior sentem-se mais empolgados do que receosos com a ideia de dedicar menos tempo às aulas teóricas.

Maximizando a explosão tecnológica em sala de aula

A tecnologia emergente exerce um papel muito importante na vida dos estudantes, de smartphones a laptops e tablets. As novas gerações da era digital pedem a incorporação desses dispositivos para melhorar a aprendizagem.

Por isso, o desafio atual da educação superior consiste em uma combinação entre a evolução natural dos novos métodos de ensino e um tipo de aluno com expectativas mais altas, tendo a tecnologia e o compromisso social como território comum.

As instituições de ensino superior, por sua vez, precisam oferecer as ferramentas de maneira segura, além de terem a tarefa de identificar as tendências futuras para poder preparar os alunos para trabalhos emergentes - ou para aqueles que ainda nem foram inventados.

Pilares da aprendizagem ativa

Para melhorar o processo de ensino com a aprendizagem ativa, indico três caminhos:

  • Experiência colaborativa: é desenvolvida pela interação em grupo e a exploração de diferentes perspectivas de estudantes e docentes. Essas ferramentas colaborativas ajudam a unir os alunos em um exercício de descoberta do conhecimento, e os ajuda a adquirir as habilidades que serão necessárias na trajetória profissional.
  • â?<Conteúdo online: apesar de ser possível realizar o intercâmbio de serviços e informações pela Internet, ele não é necessariamente confiável. As ferramentas, como a gestão da identidade e do acesso, são desenvolvidas para garantir a confiabilidade para aqueles que acessam os recursos (centrais de dados, bases de dados, instrumentos remotos, recursos de aprendizagem etc.). A habilidade de compartilhar recursos além das limitações do campus físico depende do gerenciamento da confiança, da identidade e do acesso.
  • Ensino diferenciado: a aprendizagem online oferece maior flexibilidade do que programas de um campus tradicional. A tecnologia permite não apenas a flexibilidade de tempo, mas também que os estudantes revisem os temas que não compreenderam totalmente. Esse é um conceito de "no meu próprio ritmo", no qual o estudante tem 100% do controle do processo de aprendizagem. Nas aulas físicas, os professores também sabem que nem todos os alunos aprendem no mesmo ritmo, por isso, dividir a turma em grupos os ajuda a avançar em diferentes velocidades e níveis, de acordo com cada grupo.

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De acordo com uma pesquisa com estudantes universitários de engenharia, as lousas interativas desempenharam um papel importante no processo de aprendizagem, ajudando a promover vários estilos de ensino: exploratório, explicativo, esclarecedor e inclusivo. Os resultados também mostram que elas podem colaborar para um "espaço de trabalho conjunto", um ambiente social com diálogo e interatividade estudantil.

Concluindo, as instituições educacionais devem considerar que seus clientes são nativos digitais e observam o mundo de uma maneira conectada, com expectativas diferentes das gerações anteriores.

* Fernando Maroniene é vice-presidente de Marketing da Ricoh América Latina.

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