Antoninho Marmo Trevisan, presidente da BDO Trevisan, da Trevisan Consultoria e Outsourcing e diretor da Trevisan Escola de Negócios
“A crescente qualidade de produtos e serviços no Brasil, perceptíveis em todos os setores de atividade, não é apenas um mero sinal desses tempos de competitividade exacerbada do mundo pós-globalização. Trata-se, também e, sobretudo, de uma conquista da sociedade, viabilizada pela redemocratização do país e suas saudáveis repercussões no exercício das prerrogativas e cumprimento dos deveres, cujo equilíbrio é a marca registrada das nações mais civilizadas. Identifico, com clareza, três acontecimentos referenciais nesse processo de desenvolvimento da qualidade na economia nacional: a Constituição de 1988, que, a despeito de seus equívocos, agravados pela postergação das reformas previstas em seu próprio Capítulo das Disposições Transitórias, é um ícone quanto aos direitos individuais e coletivos; o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990), vigente desde março de 1991, e o fim da inflação, determinado há 14 anos, a partir do Plano Real. É importante entender como tais marcos históricos combinam-se como fatores determinantes da prática da qualidade. Lembro-me bem do efervescente 1988, ano que pareceu ter mil dias e mil noites, tantos foram os atos e fatos protagonizados pelos governos estaduais, municipais e federal, parlamentares, judiciário, entidades de classe, maiorias, minorias, empresas e trabalhadores... |
Todos queriam um espaço de representatividade na democracia renascente. Foi nesse cenário instigante que o então conceito de Qualidade Total passou, de modo amplo e definitivo, a fazer parte do discurso das empresas, que constituíam departamentos e programas específicos para provê- lo. Fui um dos primeiros consultores dedicados a ajudar as organizações brasileiras nesse sentido. Num segundo momento, para cumprir melhor a missão, estabeleci parceria com o American Supplier Institute (ASI), referência no tema a partir de 1991. O ceticismo inicial ante as palestras e treinamentos (seria mais um modismo de um Brasil movido a “fogo de palha”?) foi mitigado em 5 de outubro de 1988, há exatos 20 anos, quando Dr. Ulisses Guimarães promulgou sua “Constituição Coragem”. O artigo 5°, inciso XXXII, 170, inciso V da Carta e o artigo 48 de suas Disposições Transitórias previam que a Nação teria um Código de Defesa do Consumidor. E teve! Vigente há 17 anos, essa lei tornou a qualidade uma sentença. O fim da inflação, três anos depois, consolidou o processo, pois a estabilidade dos preços valorizou a qualidade dos produtos e serviços como diferencial prioritário de competitividade. Ordenada pelo fluxo subseqüente das normas ISO, a qualidade é hoje inerente a pratica industrial, comercial e da prestação de serviços no país. Ainda bem, pois o atual ritmo de expansão do PIB, o grau de investimento, a inclusão crescente de pessoas nos benefícios da economia e as perspectivas muito claras de desenvolvimento não podem prescindir de uma relação mais evoluída entre os setores produtivos e os consumidores, ou melhor, cidadãos, termo que melhor adjetiva os brasileiros. Afinal, ao conquistar a democracia pelas vias pacíficas da mobilização cívica, nosso povo outorgou-se, com legitimidade e força, todos os direitos individuais e coletivos. Tratemos de preservá-los e convertê-los em prosperidade e justiça social.” |
João José Lannes, diretor da Lannes & Hoffmann
“Fui acometido pela Síndrome da Qualidade Adquirida, que vem alterando a vida das empresas, muito antes deste fenômeno ter atingido o Brasil. Eu me formei em engenharia em 1970. Nesta época vivíamos o período de “Brasil Grande”. Crescíamos ao |
ritmo chinês de 10% ao ano. Havia pleno emprego na maioria das áreas de atuação. Antes mesmo de terminar a Faculdade já éramos assediados pelas empresas com propostas de contratos de trabalho. Vivíamos em plena ditadura. As indústrias brasileiras eram super protegidas da concorrência internacional. Tudo que se produzia localmente era vendido. Produto estrangeiro aqui não entrava. Para que melhorar a Qualidade? Em 1971 e 1972 deixei de lado as boas oportunidades de trabalho e fui fazer um curso de especialização em Normalização e Qualidade, na França. Lá pude estudar, processos, normas de Qualidade, medições da Qualidade, conceitos novos como Zero Defeito, Custos da qualidade, certificações, metodologi- |