20 Anos da Qualidade no Brasil

mento. Que gerenciar por fatos e dados obtidos no local (genchi genbutsu) fazia com que a chance de erro no processo decisório fosse quase eliminada, dentre outras coisas. Tudo isto estava ocorrendo! Era esse o momento da mudança e tive a sorte de estar ali. Era o momento em que, para ganhar competitividade, as montadoras de veículos precisariam adotar o modelo participativo japonês na abordagem das causas raízes dos problemas de produtos não conformes, refugos, retrabalhos e desperdícios se quisessem ter os mesmos níveis de competitividade ocidental. Assim, iniciavam-se as exigências para toda a cadeia de fornecimento do uso das atuais core tools automotivas tais como Controle Estatístico do Processo, Manual de Analise do Sistema de Medição e o Manual FMEA. Em termos de documentação e formalização, como não havia a série ISO 9000, se usavam as normas americanas, canadenses e da área da energia nuclear para garantir (até então) a qualidade do produto. Foi a série ISO 9001:1987 que deu inicio a uma melhor sistematização das atividades para qualquer, indústria, na época.

Alguns até cometeram erros em documentar todos os detalhes de todas as atividades e operações em projetos de certificação ISO 9001:1987–1994 fazendo muitas vezes empresários acreditarem que o “negocio era papel”. Bom, mas aí é outra história. De lá para cá muita, mais muita coisa mudou. Hoje falamos de Sistema de Gestão da Qualidade com uma abrangência muito maior por meio da eficácia e eficiência dos processos do negócio como um todo com a versão ISO 9001:2000/2008. Hoje garantia da qualidade é resultado do gerenciamento da organização de forma abrangente. Por isto deve ser motivo de orgulho ser um profissional atuante na área da qualidade. E não devemos ficar desmotivados se ainda há pessoas que acreditam que a sistematização dos processos de gestão e a manutenção das certificações são coisas da área da qualidade. Infelizmente, ainda persiste essa idéia da personificação departamental e às vezes até pessoal, o que é muito pior. Mas isto é o apenas o outro lado da área da qualidade. Então, vamos perseverar na mensagem de que nada é tão bom que não possa ser melhorado.”


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Setembro 2008 • 146
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